Setor terciário também sofre com escassez de trabalhador qualificado
O mercado de trabalho no Brasil tem crescido acima de sua própria média histórica nos últimos anos. Em 2010, por exemplo, foram criados 2,5 milhões de postos de trabalho formais no País – um recorde na série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) que correspondeu a um avanço de 7,7% em relação ao total de vagas existentes no ano anterior. Embora, em termos gerais, o setor terciário privado não apresente escassez generalizada de emprego qualificado, determinadas atividades carecem de profissionais qualificados, provocando uma sobrevalorização desses trabalhadores nas suas respectivas áreas de atuação. Com base nas informações fornecidas pelo próprio Caged e na Relação Anual de Informações Sociais, também registrada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a Divisão Econômica da CNC realizou um levantamento sobre a escassez de trabalhadores qualificados nas empresas do terceiro setor da economia. Obviamente que a classificação dos trabalhadores quanto à sua qualificação foi ajustada às características de cada atividade econômica, dada a heterogeneidade do setor terciário.
Assim, considerou-se empregado qualificado nas atividades de educação e serviços financeiros, por exemplo, aquele trabalhador que possui pelo menos o nível superior completo, ao passo que, nos serviços de limpeza e conservação de edifícios, o nível médio de educação incompleto já confere qualificação acima da média dessas atividades. Os dados se referem ao período de 12 meses encerrados em maio de 2011. Inicialmente, foram identificados 144 grupos de atividades econômicas. Entretanto, para efeito de representatividade, foram investigados apenas aqueles que empregam 0,1% dos trabalhadores do setor terciário, que abriga 23,6 milhões de trabalhadores celetistas, restando, portanto, 99 grupos de atividade econômica. O critério para identificação de escassez de emprego qualificado consistiu, primeiramente, na observação da evolução nominal do salário de admissão da respectiva atividade. O crescimento do rendimento do trabalho acima da média dos trabalhadores desqualificados foi tratado como indício de escassez. Essa hipótese sujeitou-se, ainda, à observação do crescimento do emprego entre os trabalhadores qualificados e desqualificados. Assim, a escassez de qualificação foi confirmada apenas nos grupos de atividades em que o emprego entre os trabalhadores com anos de estudo acima da média se mostrou inferior à evolução do emprego dos desqualificados. O levantamento concluiu que em 20 dos 99 grupos analisados a escassez se confirmou de acordo com os critérios apresentados. Destes, aproximadamente 10 grupos acusaram sinais evidentes de escassez. O segmento que apresentou maior ganho salarial decorrente das condições de escassez foi o de transporte ferroviário e metroviário (+13,7%). As atividades relacionadas ao transporte de carga também se destacaram (+5,8%). O comércio foi o subsetor com a maior quantidade de atividades valorizadas pela escassez. Foram elas: comércio atacadista de matérias-primas (+13,4%), comércio varejista de artigos culturais e esportivos (+10,6%), comércio varejista em hiper e supermercados (+9,2%), comércio e reparação de motocicletas (+8,1%) e comércio de veículos automotores (+5,7%).